Dicas de amor para o namorado

Como ajudar minha namorada a perder peso sem ser escroto?

2020.10.07 15:29 Erevahn Como ajudar minha namorada a perder peso sem ser escroto?

Edit: gostaria de agradecer todos os comentários de apoio e com dicas, fiquei feliz pra caramba com a recepção do pessoal. Eu conversei com a minha namorada, sem tocar no assunto do peso dela, sobre comprarmos umas comidas mais saudáveis pra cozinhar, já que vamos no super hoje. Apesar de tentar usar todo o tato, ela se tocou (é por essas que eu amo ela) e eu comentei que não quero forçar nada, só quero dar suporte pra ela no que for possível. Pedi pra ela catar umas receitas saudáveis pra gente cozinhar e ela pegou várias, e combinamos umas caminhadas aos fins de semana. Agora é manter o foco!
respira... Vamos lá. Background primeiro. Sou um cara de 32 anos, minha namorada tem 26. Estamos juntos tem 10 meses, e esse foi o período mais maravilhoso da minha vida. Eu nunca tive um relacionamento tão longo, pelo simples motivo de que nunca gostei tanto assim de alguém. Nunca conheci alguém tão inteligente, engraçada, amorosa, linda, talentosa, enfim, eu amo demais essa mulher. Estamos morando juntos durante largos períodos esse ano, e só não estamos morando definitivamente juntos por que ainda não dá mesmo, se dependesse só da gente já estaríamos. Só não pedi a mão dela em casamento ainda por não ter grana suficiente pra fazer um pedido como eu quero e ela merece, e por não querer parecer afobado demais pra família dela.
Porque disse tudo isso? Pra deixar claro que ela é o amor da minha vida, e eu ficaria com ela do jeito que fosse.
Ela tem alguns problemas de relacionamento com o pai dela, uma pessoa até boa, porém extremamente volátil e grosso, e ela sendo delicada como é acaba sendo muito afetada pelos comentários dele, sempre sobre o peso dela. Ela sempre foi magra mas alguns estresses que passou, antes de nos conhecermos, a fez desenvolver uma certa compulsão alimentar, e ela ganhou peso. Acontece que essa vida de pandemia, somada a vida de casal, fez com que ela ganhasse ainda mais peso.
Eu não sei bem como lidar com o tópico, não quero falar nada que vá magoar ela, mas sei que isso a deixa incomodada, pq ela já deixou verbalmente claro isso (literalmente falando que estava incomodada com seu peso e queria emagrecer). Ela comprou um jump e tentou fazer um tempo, já tomou umas pílulas para emagrecer também (meio que escondida de mim, descobri por causa que ela perguntou pra um amigo meu sobre elas e ele me contou), isso foi no início do namoro.
A questão é que ela acabou desistindo rápido da perda de peso, e sinto ela sem motivação pra tentar. Já falei pra ela voltar pra terapia, pq acho que o problema é mais psicológico do que físico, mas ela está meio resistente a isso.
Só quero ajudar ela a se sentir melhor e não sei como. :(
Fiquei alguns dias resistindo a postar isso, pq sei o quão fácil é ler meu post como "namorado escroto e gordofobico quer ajuda pra envergonhar namorada até que ela perca peso", e não é nada disso. Eu amo ela independentemente de como ela for, só quero ajudar ela, de uma forma que seja firme o suficiente pra ela saber que realmente pode contar comigo nessa empreitada, mas leve o suficiente pra ela saber que não amo ela menos pelo peso dela. :
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2019.07.28 21:37 poder-da-seducao Como enlouquecer um homem à Distância. 7 Dicas infalíveis.

Como enlouquecer um homem à Distância. 7 Dicas infalíveis.
As comunicações nos dias de hoje facilitaram muita coisa, principalmente os apaixonados de amarem pelo telefone, pela internet, ou por qualquer outro destes meios. Mas a maior questão não é essa. A maior questão é que, apesar de tudo isso, as traições ainda crescem e crescem em todo o mundo. Parece que tudo ficou muito fácil hoje em dia. Mas veja abaixo algumas dicas que podem te ajudar como enlouquecer um homem a distância. E não é só isso, você vamos deixar uma super dica no final do artigo.
Já imaginou o seu marido, namorado, crush te desejar tanto a ponto de não conseguir pensar em outra mulher que não seja você?!
É exatamente o que você vai descobrir, todo o poder da sedução. Então leia tudo até o final!
DICA 1 – USE AS REDES SOCIAIS

Como conquistar um homem a distancia
A internet foi e continua sendo o palco de grandes movimentações sociais. Você pode utilizar a internet de várias formas para conquistar o homem da sua vida. Se ele está longe de você, mas também está no facebook, veja abaixo algumas dicas que podem te ajudar:
Publique fotos incríveis suas, onde você está sozinha na foto, mas está linda, deslumbrante! Se arrume, se maquie, arrume seu cabelo, fique diva e poste fotos nas redes sociais para ele ver. Isso irá despertar o interesse dele aos poucos, se ele realmente te achar linda. Mas cuidado! Eu vejo atualmente um monte de mulher de cabeça fraca, postando foto dos peitos, da bunda, de biquine, fazendo pose quase pornográfica, na esperança de chamar atenção de quem olha. E pior que realmente chama atenção, mas infelizmente este tipo de atenção só faz a mulher ser desvalorizada por todos os homens que curtem aquela foto. Quando for postar suas fotos, esteja linda e maravilhosa, mas nunca, nunca mesmo, esteja vulgar.
Poste textos que você sabe que ele vai se identificar, porque assim ele vai se conectar contigo;
Converse com ele no chat sobre coisas que ele gosta, etc
DICA 2 – O CELULAR
O smartphone ou celular dele também pode ser usado para ter como conquistar um homem a distância. Se ele já tá te dando certo mole e você tem o número dele, pode ligar para conversar um pouco. Não seja oferecida, apenas converse com ele sobre coisas que ele goste, pois eu tenho certeza que ele vai se interessar por ti aos poucos por causa da sua conversa.
Leia também:
Como descobrir uma traição
Como enlouquecer um homem na cama
Como conquistar um homem
DICA 3 – WHATSAPP
Não tem como negar que hoje o Whatsapp virou palco de várias comunicações. Você pode mandar fotos para ele, começar uma conversa agradável, ou até mesmo mantar áudios, fazer ligações, dentre outras coisas. Para ter como conquistar um homem a distância, você tem que fazer ele te ver como uma mulher que vale a pena, então estas ferramentas que eu tenho citado aqui neste artigo até agora devem ser bem utilizadas. Não adianta agora você ser oferecida ou vulgar, que o seu tiro vai sair pela culatra. Não mande nudes, não mostre os seios e nem faça sexo virtual com ele, senão suas chances de serem feliz já era. E se ele pedir para você fazer qualquer uma dessas coisas, simplesmente caia fora, porque ele não é homem de verdade para você.
DICA 4 – TENHA CONTATO COM AMIGOS DELE

Como conquistar um homem a distancia
Não é só com ele que você deve manter contato a distância para conquistá-lo. Com certeza, se você tiver amigos próximo a ele, isso pode te ajudar muito. Você pode falar com estes amigos para eles irem levando informações suas para ele, falando bem de ti, dizendo o quanto você está incrível, dentre outras coisas que te engrandeçam aos olhos dele. Se quer mesmo ter como conquistar um homem a distância, os amigos dele que você conhece podem ser uma peça chave.
DICA 5 – A FAMÍLIA DELE
Se você conhecer alguém da família dele, isso pode ser muito útil para seu lado, principalmente se você fizer amizades com eles. A família dele são as pessoa que mais possuem influência sobre ele e que podem fazer você ter grandes chances de descobrir coisas importantes que podem ser usadas nesta conquista. Fora que a família dele, se gostar de ti, já pode ser meio caminho andado para ele gostar também. Eu, por exemplo, tenho um irmão especial. Se alguém gosta dele e ele gosta deste alguém, esta pessoa só por causa disso já cresce no meu conceito. Família é família.
DICA 6 – SAIBA USAR AS PALAVRAS
Amiga, pode ter certeza de uma coisa: na comunicação a distância, você não tem a vantagem de estar cara a cara, então as palavras acabam se tornando muito poderosa na conquista. Se forem palavras boas, você vai acabar conseguindo obter grandes resultados, mas se forem palavras ruins, você pode por tudo a perder. Por isso, aprenda a usar as palavras certas e o tom de voz certo, para caso de você falar com ele pelo telefone.
DICA 7 – SMS
O sms ainda existe sabia? Muita gente não tem o whatsapp nem facebook, então o sms é importante. Aprenda a falar com ele por mensagens de texto e saber exatamente o que dizer para que ele goste de ti.
Espero que você tenha gostado das 7 dicas que você aprendeu aqui.
Agora bote em prática se quiser mesmo conquistar um homem a distância. Outra coisa, se você quiser aprender técnicas e dicas de conquista, conheça o curso poderosa na cama e faça o homem que você gosta cair aos seus pés de amores.
Milhares de mulheres já fizeram e os resultados surpreendem...
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2019.04.19 21:13 AgenciaSolution Ações de Marketing Dia dos Namorados para Restaurante Dicas e Exemplos Top

Ações de Marketing Dia dos Namorados para Restaurante Dicas e Exemplos Top
O Dia dos Namorados é uma data sazonal muito concorrida no comércio. Sabendo da grande concorrência de festas do dia dos namorados, o Restaurante Netinho 2 então decidiu nos contratar para desenvolvermos uma ações de marketing dia dos namorados.
O nosso desafio seria superar os concorrentes e capitalizar a empresa que promoveria o evento, o quanto antes.
Já dando andamento no planejamento pra a campanha do dia dos namorados, relacionamos várias ações que, se executadas tal qual o planejamento previa, promoveriam a venda de reservas de mesas antecipada.
O investimento feito para a promoção da data sazonal do dia dos namorados seria alto, então, a responsabilidade é grande.

O Desafio da ação de marketing

O nosso desafio seria superar os concorrentes e capitalizar a empresa que promoveria o evento, o quanto antes.
Como qualquer ação de promoção de alguma empresa, produto ou serviço, as artes devem ser criativas e motivadoras. Em Ações de marketing dia dos namorados não seriam diferentes. Frente a isso propomos os seguintes:
  1. Definição do público alvo
  2. Dois mecanismos de publicidade
  3. Sinalização da home

Definição do público alvo

Toda definição de um determinado público alvo, carece de muitos estudos e vários testes.
O público alvo definido na ação para o dia dos namorados do Netinho 2 foi feita com base em dados colhidos de seus canais de comunicação, tais como:
  • redes sociais
  • clientes cativos
  • pesquisa in loco White Label

Dois mecanismos de publicidade

Os mecanismos de publicidade escolhidos, foram escolhidos determinados pelos resultados da mineração dos dados obtidos, de modo que ficou bem nítido, o caminho que o público alvo das ações de marketing dia dos namorados percorria. Então foram enumerados os 2 melhores canais para o disparo da campanha, sendo eles:

Os canais digitais

  • Facebook: onde promovemos a estrategia de envolvimento e enjangamento da audiência, aplicando aqui o serviço de administração de redes sociais da nossa agência de publicidade
  • E-mail marketing: onde nutrimos os dados obtidos pelo funil de aquisição de leads, que funcionava no Facebook
  • Web site: onde sinalizamos o web site com banners.

Impressos gráficos

  • Fôlder: que fez o serviço de massificação da informação ao menor nível de acesso de público, ou seja, aquele público que estava circundamo o Restaurante Netinho 2.
  • Cartaz: que alcançaria transeuntes e usuários de pontos estratégicos.

Sinalização da página inicial do site

O web site do Restaurante Netinho 2 também já tinha uma audiência interessante, então criamos uma sinalização bastante intuitiva, como parte das ações de marketing dia dos namorados, colocando banners em locais estratégicos, para informar ao visitante do site que ocorreria o evento no restaurante e segundo, criando uma forma de trazer informações mais aprofundadas, sobre as atrações do dia dos namorados em Três Pontas, no restaurante Netinho 2.

Resultado: casa cheia, reservas esgotadas em 2 semanas

As Publicações feitas nas redes sociais

Os criativos / artes feitas para postagens nas redes sociais foram feitos de modo a simplifica a identificação do que se desejava mostrar, usando fotografias e ou imagens cativantes, para envolver a audiência. Veja um exemplo abaixo:

O amor esta no ar! Dia dos namorados

A personalização da fã page no Facebook

A fã page do Restaurante Netinho 2 foi totalmente estilizada, ficando toda ela em clima de Dia dos Namorados.

Fã page Restaurante Marketing dia dos namorados

Ações de marketing dia dos namorados a Personalização da fã page para Restaurante

A arte para capa de Facebook para o Dia dos Namorados faz parte das ações de marketing dia dos namorados. Perceba que a arte da capa da fã page traz bastante informações sobre a festa que ocorreria. Essa é uma dica importante, pois o cliente não perde nenhuma informação. Veja um exemplo abaixo:

Capa Facebook dia dos namorados
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2018.05.09 02:57 porco-espinho A menina que mudou minha vida. (E ela provavelmente nem sabe disso)

Tô meio reflexivo nos últimos dias e também estou tentando melhorar minha escrita, então juntando o útil ao agradável, está saindo esse desabafo.
Antes queria falar sobre o que eu acho de mim mesmo, pra dar algum contexto. Acho que minha melhor qualidade é a falta de orgulho, e o fato que sou muito egoísta, sempre me coloco a frente de qualquer outra coisa ou pessoa. Juntando os dois eu acabo sendo alguém que sempre está do lado do time que está ganhando. Mudo de posicionamento e de opiniões como se fosse cueca, muitos me acham hipócrita, provavelmente estão certos. Também sou bom em influenciar pessoas, sempre consigo que as pessoas a minha volta, tenham as ideias que eu acho certas.
Com o contexto criado, vamos à história, tudo começou quando entrei no colegial. Eu odiava escola, sempre fui aquele aluno mediano, mas puxado pra zuera, não estava na lista dos três piores alunos da sala, mas meus pais tiveram que ir na escola algumas vezes. Desde o fundamental eu carreguei comigo um amor pela matemática, era minha matéria preferida, sempre ia bem nela (em física também), mas em todas as outras eu era uma aberração, sempre mendigando arredondamentos pra somar a nota mínima e passar de ano, recuperações e provas substitutivas eram parte do meu cotidiano.
A escola que eu estudava era grande, tinham várias turmas do mesmo ano, é era comum as turmas se comunicarem pra trocar trabalhos e tarefas. Em uma dessas, no meu segundo ano, acabei pegando o MSN da Luiza (nome fictício), uma garota de outra turma que tinha pego o mesmo tema que eu. Adicionei é fui pedir o trabalho para copiar, ela foi muito educada comigo mas negou, não me passou, nem deu uma desculpa, só falou que não ia passar e mudou de assunto. Fiquei meio perdido, não esperava aquilo, já tinha feito várias vezes e sempre conseguia no final, mas ela foi diferente, me deu várias dicas de como fazer o trabalho, mas não me deu ele pronto. Acabei tendo que fazer, não entregar ele significava que eu não teria mais chance alguma de passar direto naquela matéria.Depois disso, passei a conversar com Luiza frequentemente, as vezes na escola mesmo, mas normalmente pelo MSN, ela sempre me ajudava com algumas tarefas do gênero.
Nesse ponto eu preciso falar mais sobre Luiza, ela sem dúvidas estava no top3 das meninas mais bonitas do meu ano, mas ela namorava um cara do terceiro ano. Ela era a menina super dedicada, filha de um casal de professores, ela era a detentora do melhor boletim do ano, era a garota que todos os professores amavam. Totalmente certinha e perfeitinha é a melhor definição que tenho pra ela nesse momento. O tempo foi passando, e mantive esse contato com ela, aliás ela sempre me ajudava, quando eu realmente precisava fazer algum trabalho.
Românticamente meu segundo ano foi bem legal até, tive alguns rolinhos característicos dessa idade, mas nada sério, só ia levando. A coisa melhora logo depois que acaba o ano letivo. O terceiro ano vai fazer a tradicional viagem de formatura e o namorado de Luiza decide que queria aproveitar solteiro. No momento não passou nada pela minha cabeça, só segui minha vida e segui conversando com ela, mas agora as vezes as conversas se alongavam por horas e começaram a ficar mais frequentes.
Quando começou o terceiro ano eu tinha certeza, precisava me aproximar mais dela, era mina única chance. Mas eu não sabia como ela poderia se interessar por mim, eu era só o garoto que tinha problema com as notas, bom em matemática e viciado em jogos de PC e ela era perfeita.
Não tenho muito o que comentar nesse ponto, as coisas foram seguindo naturalmente, até que um dia, aconteceu e tentei beijar ela. Para minha surpresa, fui correspondido, e a Luiza me beijou de volta, foi o início do nosso namoro. Foi uma época mágica, eu realmente fiquei apaixonado por ela e me sentia correspondido. Ela melhorou minha vida em todos os aspectos, meu comportamento, minhas notas, minhas atitudes, minha responsabilidade, tudo influenciado por ela, eu já tinha mudado muito, mas ela ainda ia mudar muito mais em mim.
Mas com isso também vi o outro lado dela, o que antes eu achava uma menina brilhante, agora eu via uma menina dedicada. Ela não tinha facilidade nas matérias, mas sim estudava por incontáveis horas na sua casa, pra manter o nível de excelência. Realmente, não acho que nesses últimos 10 anos eu conheci outra pessoa tão dedicada quanto ela. Outro ponto importante é que é ela era muito sonhadora, com 17 anos ela já tinha a vida dela inteira programada, quando ia casar, quando ia ter um filho, quando ia trocar de emprego, realmente tudo, e eu estava inserido nesse sonho dela, mas eu via que claramente ela conseguiria fazer tudo aquilo sozinha.
Tivemos um ano incrível, terminamos o colegial juntos, tive notas de um aluno normal (e não de um idiota) até nossas famílias já se conheciam e se "gostavam", mas como todo recém formado, entramos pra faculdade. Eu fui fazer computação em uma faculdade da cidade e ela passou em um curso tradicional de humanas em uma faculdade na cidade vizinha. Como todo adolescente idiota eu conheci o mundo das festas da faculdade, primeiro semestre e eu estava sempre tentando ir pra festa, ela também entrou na onda, curtimos muito nos primeiros meses das nossas faculdades.
Só que eu precisava de mais, eu queria curtir aquilo ao máximo e nesse ponto Luiza passou a ser um problema pra mim. Não demorou muito pra tomar a decisão que eu precisava estar solteiro pra curtir aquilo ao máximo. Passei a colocar na cabeça dela que precisávamos terminar, pouco tempo depois tivemos o fatídico dia em que "juntos" chegamos a conclusão que seria melhor para os dois se terminamos. Mas a realidade é que eu já tinha todas as falas e todos os cenários programados na minha cabeça, só precisei fazer ela dizer as palavras, foi fácil eu conhecia ela muito bem.
Nesse momento eu sabia o que tinha feito e sabia que tinha trocado uma vida perfeita, com a menina perfeita e precisava fazer aquilo valer a pena, não importava o preço disso. Foi minha segunda era de ouro, eu curti muito, zuei muito, bebi muito, me droguei muito e segui a vida cheia de exageros. Sempre com o pensamento de que eu troquei a Luiza por aquilo, então eu precisava fazer valer a pena. Meus pais não são ricos, então pra sustentar meu estilo de vida, logo consegui um estágio em programação.
No estágio logo eu vi uma oportunidade pra ser efetivado, mas eu estava concorrendo com outros cinco estagiários, todos em anos mais avançados do que eu na faculdade. Nesse ponto o pensamento de Luiza sempre me voltava, eu precisava da vaga, pra provar pra mim mesmo que eu tinha feito a decisão certa. Em três meses de estágio fui efetivado, depois de muito estudar por conta é trabalhar praticamente o dobro do que era necessário. Levei muito a sério a ideia de Play Hard, Work Hard, essa era minha vida agora.
A história se repetiu mais algumas vezes, e tive uns ascensão bem grande em um curto tempo, tudo graças a Luiza. Nesse ponto ela passou a ser um ideal de vida pra mim, apesar de nunca mais ter tido muito contato com ela, era a lembrança de ter deixado ela, que me motivava à ir pra frente e pra cima. Eu queria provar pra mim mesmo que tinha feito a escolha certa.
Hoje já se passaram quase 10 anos desde que começamos a namorar, e vejo o quanto aquela menina me mudou e o quanto eu ainda colho frutos disso. Tive outros relacionamentos no caminho, mas nunca foram metade do que eu tive com aquela menina que não me ajudou com o trabalho de Geografia. Fui muito mais longe do que qualquer pessoa poderia imaginar, todo mundo sempre achou que eu tinha um dom ou algo especial, mas era bem mais complexo do que isso. Tenho hoje um salário maior do que um governador e participação em três empresas. Hoje Luiza já não é minha fonte de inspiração, mas sempre que dizer o quão importante ela foi na criação de tudo isso, na minha criação.
Desculpa, ficou muito longo, se alguém leu até aqui, obrigado mesmo! Digitei no celular então vou ainda dar uma re-lida e possívelmente editar alguns erros, mas todo e qualquer feedback será muito bem aceito.
Espero que você esteja feliz Luiza. Te desejo tudo de melhor, você é incrível.
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2017.12.28 17:57 brucewaynedosuburbio Oi, Reddit. Hoje me pagaram R$ 2 mil para stalkear e descobrir tudo sobre uma pessoa. Segue meu relato de como fiz isso :)

EDIT MAIS IMPORTANTE: não me desafiem :)
EDIT IMPORTANTE: galera, comecei a receber várias mensagens de pessoas interessadas e pedindo ajudaa para encontrar amigos e amores do passado. Eu não sou profissional nisso e fiz isso como hobby, não depositem suas fichas em mim não, rs.
E outra: vou viajar agora no Ano Novo e ficar um tempo fora. Então não devo responder mais nada por aqui por um tempo. Quando voltar, vejo mensagem por mensagem e se posso ajudar ou não.
Voltando ao post original
Eu trabalho com marketing digital e sempre fui bom em caçar pessoas. Fazia isso no trabalho direito a ponto de se tornar um hobby. Brotou um cliente novo? Eu usava meus recursos para descobrir tudo o que podia sobre ele: endereço, estado civil, mídias sociais, processos, relacionamentos e por aí vai.
Isso me fez descobrir coisas interessantes. Como uma pessoa que entrevistamos para o trabalho era um bolsominion expulso da Polícia Militar acusado de assassinato (surpreendentemente absolvido, apesar de tudo apontar contra ele e seus colegas e ter até matéria de jornal sobre isso). Que o novo namorado de uma colega de trabalho frequentava um fórum de acompanhantes e tinha um perfil fake para manter contato com as primas. Que uma funcionária daqui abriu uma empresa no nome do marido e estava usando informações privilegiadas nossas para concorrer conosco em pequenas licitações.
Minha fama acabou crescendo um pouquinho até chegar em um amigo de um colega de trabalho. A missão que ele me passou? Encontrar um amor dele do segundo grau. Achei meio obsessivo, mas o cara me disse que só queria saber como ela estava, como eles haviam perdido completamente o contato por terem se formado ainda nos anos 90, sem os benefícios da internet e tal. Ele tentou contratar uma firma de detetives, mas os caras não descobriram nada com as informações que ele passou. E ele ainda morreu uma grana boa com eles.
Ele veio falar comigo e pensei, por que não? Como nunca tinha feito isso na vida, ofereci receber APENAS se descobrisse alguma coisa, apesar de geralmente rolar um adiantamento nesses casos. Segue como fiz.
Disclaimer importante: nada aqui é garantia de que vocês terão algum resultado seguindo essas dicas. Algumas pessoas têm uma pegada digital ínfima por conta da idade ou da natureza de seus afazeres profissionais/acadêmicos.
Informações que recebi: primeiro nome, um dos sobrenomes, bairro onde a pessoa morava e supostamente ainda morava, uma foto dessa pessoa no fim dos anos 2000 em uma reunião de ex-alunos dessa escola. Ele também sabia que a pessoa em questão fazia aniversário em maio. Ele desconfiava que ela havia passado para algum curso de Letras de faculdade pública do Rio de Janeiro ainda no fim dos anos 90.
Primeira fonte: o Facebook: perguntei ao cara se ele conhecia alguém de confiança que morasse no mesmo bairro que ela. Ele tinha. Essa pessoa me cedeu sua senha e login no Facebook temporariamente para ajudar na busca. A combinação de nome + sobrenome que ele tinha não dava resultado algum. Provavelmente ela usava outro sobrenome.
Aqui eu tinha duas alternativas: a mais correta, que era pegar esses dois nomes que ele tinha e consultar o registro de aprovados no curso de letras nos anos que ele indicou (1998/1999) ou visitar a antiga escola dela. Seria o método mais fácil para descobrir o nome completo dela, mas também me tomaria tempo e gasto de ficar indo fisicamente nas universidades e na escola para consultar esses registros. Eu não queria tirar a bunda da cadeira, então foi na força bruta.
Eu chutei algumas dezenas de sobrenomes. Comecei calculando o numero de perfis que acessei numa única manhã e parei de contar quanto já estava na casa dos 200. Acho que estava na casa dos 300 quando encontrei pela foto.
Páginas curtidas, fotos curtidas pela pessoa: vamos chamar a pessoa de Karen. Karen tinha um Facebook bem monótono. Parcialmente fechado, com menos de 200 amigos e pouquíssima atividade. Isso é um empecilho fodido, mas vamos lá: com a user ID dela, você consegue checar as fotos que ela curtiu a partir do link https://www.facebook.com/search/INSERIR_NÚMERO_DA_ID_AQUI/photos-liked . Também acompanhei as curtidas dela.
Assim, descobri que ela era espírita e seguia as páginas de alguns centros espíritas. Nos comentários de fotos dela - as poucas abertas - vi pessoas mencionando encontrá-la no tal centro espírita, mas sem mencionar o nome dele. Chequei as fanpages de todos os centros e revirei as fotos dos eventos até descobrir que não só ela era membro assídua de um deles, mas também era médium de um deles. Consegui até para ele os horários em que ela atendia no centro.
Pelas páginas curtidas, também descobri um bocado sobre ela: que ela tinha um filho, que ela era espírita e de esquerda, que ela fora abandonada pelo marido. que seguia várias páginas de concurseiros, que gostava de ler literatura hot, que aparentemente sofria de depressão.
Nosso amigo Google: sabendo o primeiro nome dela, o sobrenome que esse cliente lembrava e o que ela usava no Facebook, juntei os três para fazer algumas combinações de pesquisa no Google. Sempre usando aspas e tentando fazer diferentes buscas.
"Karen" "Santos" "Amoedo"
"Karen dos Santos" "Amoedo"
"Karen Amoedo" "Dos santos"
Como eu sabia o ano aproximado em que ela nasceu e o suposto mês, jogava a data junto também com um dia aleatório: "13/05/198X".
Não demorou muito para rolar o bingo. Karen dos Santos Souza Amoedo, nascida em 24/05/198X. A informação veio na lista de aprovados de um concurso público de alguns anos atrás.
A partir daí, foi uma chuva de resultados. Descobri as exonerações e contratações dela em diferentes cargos federais e estaduais por conta dos Diários Oficiais, que ela foi assistente administrativa em uma faculdade daqui por alguns anos, passou em outro concurso e migrou para outra instituição.
A partir dos editais de cada concurso e o LoveMondays, identifiquei também o salário estimado que ela ganhava em cada um deles sem grandes dificuldades.
O Google retorna muita coisa boa. Registros em cartório, processos, empresas no seu nome, uma caralhada de coisa. Numa dessas buscas, encontrei o perfil dela no Youtube, que era aberto e tinha várias informações de coisas que ela gostava: hobbies, canais sobre depressão e espiritismo, plano de estudos para concursos públicos e por aí vai.
CPF é seu amigo
Hoje, é muito fácil no Brasil você consultar informações de pessoas por CPF em sites como o CC Fácil. Seu próximo passo então é descobrir o CPF da pessoa em questão.
Aqui é muito 8 ou 80. Muita gente tem o CPF largado pela internet por milhões de razões: alguma citação em ação judicial, diário oficial, burrice, uns bancos cadastrais que se encontram por aí. O meu, por exemplo, não está disponível em lugar algum.
No caso dessa pessoa em questão, jogar o "Karen dos Santos Souza Amoedo" (lembrando que o nome é fictício :) ) rendeu algumas dezenas de resultados e, num deles, havia o CPF da pessoa em questão. Fui lá eu no CC Fácil fazer a consulta.
Tem duas coisas SUPER importantes sobre o CCFácil:
O resultado? O endereço de casado dela, o atual endereço, o celular, o telefone fixo, alguns detalhes sobre a vida financeira dela.
A interpretação das informações: só nessa brincadeira aí já estava terminado o serviço, mas decidi ir mais a fundo e ver o que mais conseguia descobrir. Muita coisa é subjetiva e fruto de algumas migalhas de informação que a gente precisa interpretar, é quase como contar uma história mesmo.
Eu consegui acertar o perfil básico dela quase que por inteiro. A conclusão que cheguei foi que Karen casou-se com 20 e poucos anos, teve um filho e se separou em algum momento. Não consegui descobrir o nome do cônjuge, mas acho que poderia ter ido mais longe se recorresse aos cartórios da região. A depressão veio depois da separação, aparentemente com o filho ainda pequeno (hoje adolescente).
Pela descrição que ele me deu, ela parecia pouquíssimo religiosa nos tempos de escola. Concluí que a religião foi a forma que ela encontrou de enfrentar a depressão. Ela jamais exerceu a profissão pela qual se formou, se limitando a fazer vários concursos públicos para assistente administrativo, sempre mirando bem baixo. O salário mais alto da carreira dela foi R$ 2700~R$3100, já com as gratificações inclusas, pelo que consegui achar.
Ela conseguiu manter o peso após a gravidez, pelas fotos que encontrei. Mas a separação e a possível depressão fizeram ela engordar bastante. Ela também seguia várias páginas de comida orgânica e dietas saudáveis, mas não parecia estar fazendo muito efeito.
O que mais consegui?: liguei para a entidade pública onde ela trabalhava me identificando como funcionário dos Correios. Queria confirmar o endereço dela e a unidade daquela repartição onde ela trabalhava, já que era uma instituição bem grande. Falei que tinha uma encomenda no nome dela como endereço errado e que seria devolvido ao remetente, mas que aquele era o único telefone de contato. Nego se desdobrou e conseguiu me passar exatamente onde ela trabalhava e o ramal dela. Essa instituição tem várias unidades diferentes espalhadas pela cidade.
Queria confirmar o endereço que havia descoberto pelo CPF, mas também quis testar a ingenuidade dela. Dei outro endereço próximo no bairro em que ela mora, dei o nome do remetente como uma loja de apostilas de concursos públicos (com base nos interesses dela que escavei). Ela acreditou na hora e me passou o endereço certo, confirmando o segundo endereço que recebi na consulta da CC Fácil. Talvez o primeiro fosse dos tempos de casada.
Além disso tudo, com uma foto taggeada de uma amiga, descobri a escola onde o filho dela estuda. E que ele é meio geek/otaku (imagina se o cara tá no sub, hehe).
Acertei tudo? Da minha interpretação, só errei o espiritismo como válvula de escape para a depressão após o fim do casamento. Na verdade, o espiritismo foi a resposta que ela encontrou para a morte do pai há alguns anos.
Por que estou postando isso aqui?
Várias razões:
Sim, é meio creepy. Bem creepy, na verdade. Mas eu fiquei satisfeito com o resultado e espero que os dois se deem bem. E que ele não seja um psicopata ou mate ela, senão vou ficar com uma dor na consciência fodida. Mas pelo menos ganhei R$ 2 mil por basicamente um dia de trabalho :)
Vai funcionar comigo?
Aí vai um depende gigantesco, como eu disse lá em cima. Eu tenho uma vida bem ativa nas redes sociais e me recrimino por isso. É bem fácil saber bastante sobre mim e descobrir coisa sobre a minha vida. Mas a minha esposa, por exemplo, tem uma pegada digital mínima. Trabalha na iniciativa privada, em uma empresa pequena, não tem empresas no seu nome, não faz concursos públicos, não tem uma profissão que coloque o nome dela na internet repetidamente, não é chegada às redes sociais.
Se meu alvo em questão fosse a minha esposa, provavelmente eu não conseguiria porra nenhuma. Minha dica? Se vocês têm algo comprometedor e querem esconder, ou até simplesmente querem proteger sua privacidade, comecem a buscar essas informações sobre vocês disponíveis por aí e apaguem elas. Se você quer encontrar alguém, é só ser perseverante. A internet é um mar de informação.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.11.13 04:29 MartianIT Beleza, estética e cuidados pessoais

Há uns cinco meses conheci uma menina que era simplesmente incrível desenrolei algumas boas conversas e tive tentativas frustradas de marcar encontros, as coisas nao saíram do jeito que deveriam e eu não me mostrei interessante suficiente e ela simplesmente parou de conversar comigo, eu que puxava conversa e depois parei por amor próprio. Ao invés de chorar e culpar o mundo, decidi investir mais em mim, entrei na academia e comecei a ser bem mais vaidoso seguindo os conselhos dos inúmeros nerdcasts do dia dos namorado que eu sempre ouço, e aí vem o motivos principal do post, quais são os macetes do cuidado pessoal que vocês têm? Um gel raro? Ou até mesmo uma combinação de perfume, desodorante e hidratante que seja harmoniosa, uso os três bem modernamente mas sempre sinto que estou exagerando. Sintam-se livres para dar qualquer tipo de dica.
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2017.11.11 07:06 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois

A quem possa interessar, agora tem uma parte 2: https://www.reddit.com/brasil/comments/7cq1rk/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
Reencontrei uma pessoa muito querida para mim ontem de maneira completamente randômica. É um caso tão bizarro que não sei para quem desabafar, já que esse "relacionamento" que eu mantive há 12 anos não chegou a ser sequer um relacionamento e nunca contei dele para ninguém. Esperei a esposa dormir, sentei e escrevi um conto. Fiz uma trash account para jogar isso aqui.
Desculpem o desabafo longo, mas foi o lugar que encontrei para soltar isso.
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Aconteceu no fim de tarde de uma sexta-feira quente. A cidade impaciente se esvaía para casa nos ônibus e metrôs lotados, a onda de calor de novembro apertando o passo de quem só queria o refúgio caseiro. Saí do metrô da esperando encontrar uma noite fresca, mas fui pego no pôr-do-sol atrasado do horário de verão. Passara o dia fora do escritório em um evento extremamente técnico e só queria desligar a cabeça. Estava bem vestido, mais do que o de costume. As calças jeans escuras relativamente novas, a blusa social quadriculada que usava quando queria se arrumar – mas nem tanto – e a bolsa de couro recém-comprada para ter um ar mais profissional nesses eventos externos.
Me sentia bonito, sentia até que minha barba reluzia ao pôr-do-sol. Ridículo, né? Um pouco de contexto: sempre fui uma pessoa acima do peso e havia acabado de registrar a perda de 32 quilos e indo à academia diariamente. Como qualquer um que foi gordinha a maior parte da vida, eu estava me sentindo muito bem. Por isso, peço que sejam indulgentes comigo. Até porque esse fato é relevante para a história.
Caminhando pela praça em direção ao ponto do ônibus que me levaria para casa, me desvencilhava dos ambulantes peruanos e suas bolsas falsificadas, dos entregadores de folhetos do sex shop de uma galeria ali perto – frequentadores fiéis da praça desde que eu me entendo por gente e provavelmente responsáveis por um número considerável de árvores derrubadas para fazer seus folhetos nessas décadas – e dos estudantes, que tanto pareciam carecer de pressa. Naquela multidão de gente, me surpreendi por notar alguém que me mirava de cima a baixo logo à minha esquerda.
No começo, não me virei. Julguei ser uma daquelas ilusões que a gente tem no canto do olhar. Três, quatro, dez passos. A pessoa continuava ao meu lado e me olhando atentamente, não sobravam dúvidas. Virei o rosto e dei de cara com ela.
Eu gosto muito de ler, mas não sei se já achei na literatura algum trecho que mostre o quão chocante é reencontrar um amor perdido depois de tantos anos. Ela entrou pelos meus olhos e me atravessou por inteiro, trouxe de volta as memórias que já julgava mortas e enterradas havia muitos anos. Por dentro, eu me senti despedaçado, como se tivesse estourado um balão há muito tempo comprimido no canto do subconsciente. Eu lembrei das manhãs que passava com ela, do dia em que ela me deu um CD do Linkin Park, de quando fui embora sem me despedir e não cortei o relacionamento – tosco, incompleto e desajeitado – que nós mantínhamos.
O choque seria menor, certamente, se não houvesse uma tristeza tão cristalina em seus olhos. Ela rapidamente virou o rosto e apertou o passo, mas eu fiquei ali atrás com aquela imagem fixa na memória. Me permiti olhá-la por inteiro enquanto avançava à minha frente. Não por desejo, mas por saudade. Saudade da pele morena, do cabelo ondulado que lhe descia pelas costas da mesma forma que fazia há mais de uma década. E saudade dos olhos de arteira que ela tinha, dos quais eu só lembrei depois de vê-los tão melancólicos. Nos conhecemos no fim do segundo grau e começo da faculdade, não éramos mais crianças. Mas os olhos dela sempre me encantavam: pareciam os olhos de alguém que está ansioso e animado ao mesmo tempo, o olhar de criança que está prestes a fazer merda e sabe disso.
Por sorte, ela seguia na mesma direção do ponto de ônibus e eu a seguia com meus olhos. Não tive forças para cumprimentá-la, a vergonha falou mais alto. Ela também não quis fazê-lo e foi fácil entender porque. Ela envelhecera bem mais do que eu esperava. Tínhamos a mesma idade, eu e ela, mas lhe daria uns dez anos a mais do que eu sem pensar duas vezes. Ganhara peso, o rosto e o cabelo pareciam maltratados, a roupa era desleixada. Nenhum julgamento aqui, quem não teve seu dia de ‘foda-se o mundo’ que atire a primeira pedra. E mesmo assim fez o meu coração parar. E mesmo assim eu só queria correr para perto dela e dizer oi.
Eu e ela éramos criaturas estranhas. Nós dois vínhamos de famílias de classe baixa, nós dois estávamos em um curso de inglês pago por algum parente mais rico, nós dois começamos a trabalhar cedo, nós dois éramos excelentes alunos, nós dois fazíamos parte daquela onda de rock do começo dos anos 2000 que incluía Linkin Park, Evanescence, System of a Down e algumas outras bandas que estavam na moda na época.
Começamos a nos aproximar quando contei para ela que queria fazer XXXXX (carreira omitida). Ela também queria, por isso passamos o ano anterior ao vestibular trocando dicas, comentando provas e trocando confidências no fim da aula de inglês. Eu fazia questão de levá-la para casa todos os dias após o fim da aula de inglês e nós acabamos ficando muito próximos. Só tinha um detalhe: eu e ela éramos comprometidos. Eu namorava uma colega de escola há pouco menos de um ano e era perdidamente apaixonado por ela, apesar dela ter se tornado uma companheira extremamente abusiva ao longo do relacionamento e termos nos separado. Ela namorava um amigo de infância, tinha tudo para crer que ela também era apaixonada por ele e estava prestes a se casar dali a um ano e meio. Sim, ela casou-se ridiculamente cedo, com apenas 20 anos e teve dois filhos logo depois, pelo que eu ficaria sabendo mais tarde por acidente. Nesse período de cerca de dois anos, mantivemos esse relacionamento estranho que eu sequer sei como classificar. Recém-chegados no curso achavam que éramos namorados, apesar de nós nunca nos abraçarmos, andar de mãos dadas ou coisas do gênero. Os alunos que estudavam conosco há mais tempo e já tinham visto nossos verdadeiros namorados achavam apenas que colocávamos chifres neles. Nós nunca fizemos absolutamente nada. Não houve beijo, não houve cabeça no ombro, não houve mãos dadas. Fisicamente, nunca houve nada. Mas havia ali uma cumplicidade quase criminosa, olhares mais longos do que o necessário, um quase que jamais se tornava realidade. Talvez esse carinho fosse fruto de sermos tão parecidos e termos origens tão similares.
Mas tudo acabou sem aviso. Em um intervalo de meses, sofri um duplo revés. O parente que pagava o meu curso descobriu que estava com câncer e seus custos com saúde aumentaram drasticamente. Eu já estava trabalhando e podia pagar, mas perdi o emprego no mesmo semestre. Tudo aconteceu em um intervalo de um mês, em janeiro, e eu não pude voltar ao curso para o semestre seguinte. Era uma época diferente. As redes sociais não eram tão onipresentes (eu tinha meu bom e velho Orkut, ela achava rede social bobeira) e não havia Whatsapp. E algo em mim insistia em dizer que era errado ligar para ela, que era ir longe demais. Então eu sumi da vida dela sem aviso, sem dar satisfação. Simplesmente não me matriculei no curso e jamais toquei no assunto com ninguém, nem com meus amigos mais próximos. Doeu – e doeu muito – mas eu deixei a vida sedimentar tudo aquilo. Eu ganhei peso, meu relacionamento com aquela namorada não andava bem. Naquele momento, eu só queria sumir e não ver mais ninguém. E aquela saída brusca acabou me ajudando nesse sentido. Some aí a baixa auto-estima. Eu nunca achava que uma mulher estava dando bola para mim até elas praticamente se jogarem no meu colo. Quase todas as mulheres com quem saí tiveram a iniciativa ou deixaram bem claro que queriam alguma coisa, sempre fui lerdo ao extremo para flerte. E perdi grandes oportunidades por conta disso, mas isso é passado e não me causa dor, só uma risadas. Exceto nesse caso.
De lá para cá, soube pouco dela. Descobri por um grande acaso que ela teve dois filhos logo após o casamento (Orkut de amigo de um amigo de um amigo que estava no chá de bebê do segundo filho dela, rs). Também vi que ela não passou no vestibular para a carreira que escolhemos, senão seria mais fácil encontrá-la. O curso era bem concorrido e ela não passou duas vezes. Na terceira, já estava com filho e casada, então não avançou. Esbarrei com ela enquanto estava grávida do primeiro fazendo compras no mercado com o marido. Nesse dia, eu estava acompanhado de vários amigos, completamente bêbado e indo para uma festa na região boêmia da cidade. Trocamos um olhar meio constrangido nesse dia, nada mais. Tinha uma mágoa bem nítida nos olhos dela, mas eu ainda relutava em acreditar que eu significava muita coisa para aquela menina. Eu só iria me tocar anos mais tarde que eu, apesar de estar fora dos padrões de beleza, recebia sim atenção do sexo oposto.
Agora avançamos 12 anos no futuro. Cá estou eu, perdido, olhando para uma mulher que teve um relacionamento tão tênue e tão profundo comigo ao mesmo tempo. Ela parou e entrou em uma loja de sapatos em frente ao ponto de ônibus para o qual eu estava indo e, mesmo pela vitrine, trocamos alguns olhares demorados. Eu queria chegar perto, eu queria dizer oi, eu queria chamá-la para jantar. Mas, no auge dos meus 30 e poucos anos, eu me senti um adolescente envergonhado de 17. E uma voz bem clara ecoava na minha cabeça: “você é casado, você tem um casamento muito feliz e você nunca traiu sua esposa e nenhuma das suas outras ex-namoradas. Você não vai começar a fazer merda agora”.
E se eu fosse dar um oi, serviria de quê? Requentaria um amor adolescente que provavelmente só faria mal a nós dois? Reviveria a mágoa daquele adeus decepado, sem dar a menor satisfação? Tudo isso só transformava minhas pernas em âncoras que meus olhos teimavam em ignorar. Ela saiu da loja e, pela primeira vez naquele fim de tarde, me olhou de forma direta. Sem aquela desviada de olhar que vem um par de segundos depois, sem aquela sensação de acidente ou constrangimento. Nos encaramos por um período que, me perdoem o clichê, parecia uma eternidade. Eu sabia que aquela era a minha deixa para chegar mais perto, mas eu não fui. Ela me deu as costas e sumiu na multidão, provavelmente para sempre. Meu coração ficou ali perdido, sem saber como era possível lembrar-se de tanta coisa em tão pouco tempo.
Sentado no ônibus de volta para a casa, as memórias vinham em atacado. O dia em que ela fez uma cópia do Hybrid Theory e me deu de presente de aniversário. A vez em que eu ganhei de um amigo meu um chaveiro do Nirvana e, quando ela foi pegar para ver, sem querer seguramos as mãos por uns segundos que pareciam compreender toda a história da humanidade. Quando levei meu discman para o curso e a gente escutou junto um álbum do System of a Down no ano em que lançaram Hypnotize e Mezmerize.
É triste a vida ser tão curta, eu concluí. Tem tanto amor para se viver, tanta história que poderia se escrita a dois que nós nunca vamos conhecer. Tanta coisa inesperada que acontece num fim de tarde sem propósito, tanta coisa que a gente deixa de perceber e que acontece porque você notou alguém no canto do seu olho. E eu, muito provavelmente, nunca mais vou vê-la. Se eu tivesse a oportunidade de reviver esse momento, eu não sei o que eu faria. Chamava para tomar um café e pedia desculpa por nunca ter falado que eu era perdidamente apaixonado por ela e que vivia um relacionamento conturbado com uma companheira abusiva, mas que a baixa auto-estima me impedia de agir? Diria que havia praticamente esquecido que ela existia nos últimos 10 anos, mas que bateu um misto de culpa e carinho enormes tanto tempo depois? Não acho que nada disso valeria a pena.
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