Fatos psicológicos sobre a personalidade

Narcisista e Bordeline

2020.11.14 03:23 Ok-Brother7583 Narcisista e Bordeline

Oi. Sou novo aqui, vou compartilhar minha infeliz e idiota história que tive que até hoje me traz sequelas psicológicas.
No Ensino Médio, resolvi estudar para me preparar para a prova da minha faculdade então, me matriculei em um curso preparatório um pouco longe de onde eu morava.
No 1 dia foi tudo ótimo, eu não sou muito sociável em ambientes grandes e com um amontoado de pessoas, posso ser considerado introvertido. No 3 dia, conheci ele, vou chama-lo de Fernando um garoto legal e extremamente extrovertido, falamos muito e ele de longe foi a única pessoa que poderia chamar de “amigo”.
Ele um garoto com estilo, gay e popular e como única opção me vinculei a ele. Passando uns dia reparei algumas características novas como egocentrismo e distúrbios psicológicos como o mesmo tinha me dito, Bordeline. Acabei vendo essa personalidade nova, com as amigas ele era engraçado e boa pinta, mas com os outros era frio e sádico.
O Fernando tinha interesse em mim, mas sempre o rejeitava de uma forma respeitosa. Dizia a ele que não estava preparado para um romance e estava me focando para a universidade. Talvez o impacto de ver o seu lado “verdadeiro” se deu nesse fato dessas insistências e afastamentos.
Todos seus erros e defeitos eu mascarava com desculpas. Ele tinha falado opiniões miseráveis e preconceituosas a respeito de toda raça e credo sempre ficava abismado e irritado, mas talvez tenha me envolvido demais que me tornei dependente dele e apesar disso tudo na minha cabeça fazia sentido, pois ele passou pela depressão e bipolaridade constante e pensava que passaria, sempre passava.
Antes disso eu errei em contar uns fatos da minha vida pessoal. Quando tinha 14 anos fiz muitos erros pequenos e grandes, motivados ou não, eu tinha uma mentalidade padrão e me influenciava muito fácil tantos nas coisas boas quantos nas ruins. Eu mudei e naquele ano refletia e dizia a mim mesmo que eu era uma nova pessoa com pensamento crítico e evoluído e que essas situações não eram nada demais comparadas as ajudas que criei e tive.
Ele começou a mudar. Era mais distante, falava pouco e explodia em muitas situações dizendo que era minha culpa e que eu errei com ele. Fiquei pasmo, pois não entendia sempre queria reatar seja lá oque eu fiz.
Começou aqui a moldar meus problemas. Ele constantemente me diminuía tanto em aspectos físicos quanto em econômicos. Feio, magro, pobre e burro eram xingamentos comuns, aumentava meu erros do passado. O Fernando era muito inteligente sabia esconder bem oque falava e sabia bem as desculpas que podia falar. O problema psicológico era uma desculpa para praticar tudo isso comigo. Isso me doía, ele tinha problemas, tinha passado por momentos difíceis, tudo acabaria.
Devido a isso tive depressão, insegurança e ansiedade. Pensava como as pessoas me olhavam e como eu era de verdade. Aquilo me deu uma tristeza tamanha que eu abandonaria tudo literalmente para uma paz momentânea.
Acabei pesquisando sobre narcisismo e transtorno Bordeline, fiquei apavorado pois essa mistura de diagnóstico batia exatamente como ele era. Acabei excluído de vez e assumido um pouco do controle da minha vida.
Fiquei sem falar com ele e sentei em cadeiras distantes da dele. Ele se sentia confuso me mandava diversas mensagens dizendo que estava arrependido, logo eu bloqueava tudo. Não demorou muito para me mandar ameaças variadas desde fotos, pessoas bilhetes, mensagens, vídeos. Suas amigas ajudavam muitos. No exterior bancava a pessoa forte, mas queria desistir por dentro, chorava muito em casa com aquela pressão.
A tristeza se transformou em raiva, logo pensava em maneiras de me vingar de falar oque estava entalado. Continuei assim, depois de tudo isso ele desistiu de cursar o curso, mas o impacto ainda estava lá. A insegurança me cobria tanto que o único jeito de me sentir protegido era refazer essas pequenas táticas e hábitos que tive para me blindar.
Hoje eu passei na universidade que amo e em um curso que realmente me sento realizado embora eu seja calouro. Perdi algumas coisas ruins que estavam lá, outras estou no processo contínuo de aceitação e gratidão.
Nunca pensei nisso, mas escrever tudo isso também foi uma ajuda tremenda. Muito obrigado por ouvir essa história
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2020.08.22 02:27 Luizinguitar3 Não aguento mais lidar com merdas de terceiros que refletem até na vida pessoal de quem não tem nada a ver.

Minha mãe é uma pessoa que sempre estudou muito e fez de tudo para nunca precisar contar, financeiramente e/ou emocionalmente com a família que ela tem, no caso, a mãe, pai e irmã dela. Construiu uma carreira na área de química ligada a radiação, hoje é pesquisadora e, apesar de estarmos falidos por causa de terceiros, ganha bem.
Tudo foi bem na medida do possível, até que, em por volta de 2007, meu avô, pai dela e já idoso, foi preso num esquema criminoso aí que rolou (nada muito sério, tipo matar alguém, mas ainda assim crime) e ela teve que gastar boa parte da grana que ela não tinha com advogado para, além dele, minha avó e minha tia que era cúmplices de tudo.
Alguns anos depois dessa treta, minha avó, que não olhava na nossa cara há pelo menos uns 8 anos, oficialmente perdeu tudo que tinha e veio morar aqui em casa, que não é um lugar grande, e ficou quase 5 anos (de 2015 até o final de 2019) nos enchendo o saco, já que ela é uma pessoa extremamente ingrata e egoísta, fazendo com que pessoas que amávamos e que frequentavam nossa casa nunca mais nos visitassem e, de quebra, como tinha sido recém diagnosticada de um câncer, gastando mais dinheiro da minha mãe, porém não dizia nem um obrigado para nada. Uma vez minha mãe sofreu um acidente de carro, chegou em casa visivelmente machucada e ela só foi reparar 3 dias depois (e eram hematomas gigantes no pescoço e braços, ou seja, dá pra ver fácil). Mesmo não querendo e evitando demonstrar, minha mãe sofria muito com isso.
Nesse meio tempo, meu avô saiu da prisão e aí foi mais grana da minha mãe pra sustentar ele agora, que mora com a irmã dele, tia da minha mãe, e, de quebra, ainda teve que pagar dívidas absurdas da irmã dela, que nunca paga o que deve, não faz absolutamente nada para os pais e ainda é extremamente grossa e agressiva com a minha mãe. Entre 2007 e 2015, minha tia morou com minha avó e sentava a porrada nela (na época minha avó tinha entre 70 e 78 anos, ou seja, idosa), e mesmo assim é a filha favorita de ambos até hoje.
Pra coroar a treta toda, no final de 2016 meu pai, que mora com a gente, começou a demonstrar uns comportamentos estranhos e só esse ano (por volta de março se não me engano) finalmente um médico o diagnosticou com uma doença cujos sintomas casam com o que ele tem. Ela se chama demência fronto temporal e, se pesquisarem sobre casos, vão ver que a rotina da pessoa e das que convivem com ela mudam muito devido a isso. De quebra também, o gasto mensal aumentou muito, além de tudo, devido a necessidade de médicos, já que nosso plano de saúde que é o único que conseguimos pagar não ajuda em praticamente nada, e, pra coroar, o salário dele e da minha mãe caíram em mais de 50%. Se não fosse o auxílio emergencial e um auxílio que tô recebendo pela faculdade nem sei o que faria, já que também não ganho lá muita coisa pelo trabalho e, como sou autônomo, não tem como contar muito ainda mais nesse período.
Apesar de ser uma pessoa doce, inteligentíssima, tratar todo mundo bem, todo mundo gostar muito dela e admira-la bastante, inclusive eu, sei que ela tenta muito ser uma ótima mãe, mas não é a pessoa mais atenciosa do mundo em relação a mim e minha irmã. Os únicos assuntos que ela conversa comigo são faculdade e trabalho (ela é acadêmica e sonha com meu doutorado, sendo que nem no terceiro período da faculdade tô). Normalmente, como ela tem que carregar o mundo nas costas, ela se preocupa mais em resolver o que dá pra ser resolvido e tapar o que está ruim com uma peneira até não dar mais e aí precisar resolver.
Meu pai era um excelente pai e realmente não é exagero, mas na situação atual não é como se ele conseguisse dar conta das coisas, mesmo qu minimamente, então ela se sente frustrada e sozinha por ter pedido o suporte dela. Ambos se davam muito bem e foi (e é) bem foda pra ela.
Apesar de eu já ter o diagnóstico médico de depressão há pelo menos uns 5 anos, esse período de pandemia piorou tudo e, além disso, tenho tido crises bem ferradas de ansiedade. Não só devido a minha família, mas também porque namoro uma pessoa cuja mãe é (diagnosticadamente) narcisista, que faz a vida dela um inferno e, apesar de termos um relacionamento foda entre nós dois, eu estou sempre preocupado com o que essa mulher possa fazer. Além disso, mesmo quando não rola nada, não consigo dormir bem. Até malhando e tomando remédios (prescritos) tá ficando difícil e sinto que estou a beira de ter um colapso nervoso. Muitas noites me vejo tremendo, sem conseguir respirar, com pensamentos suicidas e completamente exausto, mas sem conseguir dormir. A única coisa que tenho feito fora de casa é levar meu pai pro mercado e na padaria, porque ele gosta de, nas palavras dele, "dar voltinha" no quarteirão, e ir no banco quando preciso resolver algo. Ou seja, se eu já não tinha muita "vida", agora tá pior ainda.
A questão é que essa parada de, não só minha mãe, mas principalmente ela (que é meio que meu único apoio familiar e na vida além da pessoa que namoro) fazerem tão pouco de mim e do que sou e sinto fica me matando porque não importa quantas vezes eu peça ajuda, ninguém ouve. Tenho muito medo de acabar tendo um colapso nervoso, como já aconteceu antes.
Faço acompanhamento psicológico há uns anos e recentemente (faz uns 3 meses) mudei o atendimento de 1x para 2x por semana, mas o que são só duas (dependendo da semana menos) sessões de terapia para alguém que passa a semana cagado?
E, assim como a pessoa que namoro passa com a mãe dela, ter que lidar com um monte de consequências ruins na vida por causa de coisas merdas que terceiros que pouco tem a ver com a sua (como meus avós, minha tia e minha sogra, por exemplo) e se ver completamente sem perspectiva por causa dos outros é muito ruim.
Não tenho muitos amigos (não que dê pra pedir algum apoio nem que seja pra ouvir como me sinto) e minha família, que já era distante, depois da doença do meu pai simplesmente sumiu.
As vezes sinto que minha mãe quis ter os filhos, mas nunca pensou de fato em como seria cuidar deles, até porque ela nunca teve quem cuidasse dela, então nem faz ideia de como é isso e, de fato, quem era mais ativo no nosso dia a dia, até porque o horário de trabalho dela era menos flexível, era meu pai, então até essa quarentena ela nunca tinha ficado tanto tempo perto da gente e muito menos em casa.
Tenho uma irmã, que é menor de idade, e minha mãe até dá um certo apoio e presença maior a ela por conta disso, mas, no meu caso, é como se eu fosse só uma pessoa que mora de favor aqui. Entendo que muita gente se sente assim depois que faz 18 anos, mas é foda principalmente quando não se tem ninguém para contar, ou ao menos um amigo pra desabafar.
Tenho muita dificuldade em fazer amizades, o que piora tudo, e acho que isso também vem do fato de que, apesar de eu sempre ter sido uma pessoa introvertida e mesmo assim conseguisse fazer uma ou outra amizade, os últimos tempos pra cá, por estar sempre ansioso, preocupado e correndo pra lidar com a minha família, seja porque meu pai não pode ficar sozinho em casa, ou porque trabalho, ou porque deu uma merda nova na vida da minha mãe e ela tem que resolver em cima da hora ou porque minha irmã tomou remédios demais e foi parar na UTI (sim. Já rolou algumas vezes, já que ela também é depressiva).
Para botar a cerejinha no bolo, sou homem trans e comecei com os hormônios há cerca de um ano, logo minha cara tá bem diferente e minha mãe não lida bem com isso, então, querendo ou não, isso também afastou mais a gente. Nas palavras dela quando contei: "eu já tenho um monte de problema pra resolver e você me aparece com mais isso?"
Penso muito em sair de casa, pouco antes da pandemia tava começando a tirar isso do papel, mas sempre que comentava sobre a ideia, como algo hipotético, todo mundo aqui falava que agora não dava, porque eu tinha que ajudar a cuidar do meu pai, e, com a pandemia, desanimei de vez (e o dinheiro todo acabou, pois era isso ou mais dívidas.)
Percebo sim que minha mãe tem uma preferência pela minha irmã, pois, por ela gostar mais de estudar que eu, principalmente coisas tidas como "normais" (normal eu digo coisas que compreendem as áreas de exatas, humanas, línguas e biológicas. Claro que nada é tão simples assim, mas eu faço faculdade de música então forçando a barra acho que deu pra entender a comparação), se for pra escolher quem vai cuidar da casa e do meu pai e quem vai estudar acho que já temos uma resposta. Além disso, a personalidade de ambas é bem parecida.
Realmente não sei o que fazer. Não sei se alguém vai ler até o fim, digitei tudo de uma vez. Só queria me sentir capaz de ter a minha própria vida, não só financeiramente, mas sem situações que bloqueassem completamente qualquer coisa que eu tentasse e automaticamente fizessem com que eu me sentisse cada vez mais sufocado nessa bola de neve gigante.
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2020.04.15 13:56 PainfulSincere Vale a pena fazer curso técnico em radiologia?

Olá reeditors do huezil, tenho 24 anos e ainda não sei o que eu gosto de fazer, parafraseando a Clarice Lispector , só sei do que não gosto então cheguei em radiologia pura e simplesmente por eliminação já que não gosto de escritório, não sou fã de hierarquia e muito menos de politicagem empresarial e não sou workaholic (todos os empregos que eu tive em tempo integral eu queria matar alguém, dessas 8 horas você só é produtivo no máximo em 6 acho que uma jornada semanal de 40 horas não se justifica e nem faz bem para o meu psicológico) acontece que todo mundo diz que técnico em radiologia é algo saturado e com poucas vagas o que me deixa inseguro de entrar na área mas não encontrei dados sobre quantas pessoas se formam por ano ou quantos exercem.
Me chama muito a atenção o fato que irei trabalhar apenas 24 horas semanais e me aposentar mais cedo não sei se é minha personalidade ou se eu é por que eu ainda não encontrei algo que eu goste mas basta alguns meses num novo emprego para sentir vontade de mandar todo mundo a merda e sair então uma jornada menor significaria menos tempo de vida desperdiçado, o salário não é uma maravilha mas dá pra viver, não tenho pretensão de ficar rico, cheguei a conclusão que ter tempo livre para me exercitar, ter hobbies e ter tempo para a família são mais importantes do que ganhar um salário de 10k.
Afinal vale a pena cursar técnico em radiologia ou devo pesquisar mais por algo que realmente me satisfaça?
Realmente existe isso de ser feliz com o que faz ou o máximo que dá é para evitar o sofrimento de se fazer algo que odeia?
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2019.12.29 03:12 altovaliriano Asha Greyjoy

Asha é a terceira criança e única filha mulher de Balon Greyjoy e Alannys Harlaw. Ela era um criança que não chamava a atenção, mas cresceu para se tornar uma mulher atraente e ousada, que não gostava da idéia de se tornar esposa de um Senhor, mas titular do direito à Cadeira de Pedra do Mar.
Quando Theon deixou as Ilhas de Ferro, a imagem que tinha de Asha era uma garota com “um nariz que mais parecia um bico de abutre, uma colheita madura de espinhas, e não tinha mais peito do que um rapaz” (ACOK, Theon II). Mas nenhum tipo de observação é feita sobre seu comportamento. Não que Theon seja particularmente bom em observar ou julgar caráter. Mas ele é pego de surpresa quando Tio Aeron lhe apresenta a perspectiva de que Asha poderia estar na linha de sucessão:
– Ambos os meus irmãos estão mortos. Sou o único filho sobrevivente do senhor meu pai.
– Sua irmã está viva – Aeron nem sequer ofereceu a Theon a cortesia de um relance.
Asha, Theon pensou, confuso. Era três anos mais velha do que ele, mas, mesmo assim…
– Uma mulher só pode herdar se não houver nenhum herdeiro varão em linha direta – ele insistiu em voz alta. – Não aceitarei que me privem dos meus direitos, aviso.
O tio soltou um grunhido.
Avisa um servo do Deus Afogado, rapaz? Você se esqueceu mais do que pensa. E é um grande idiota se acredita que o senhor seu pai algum dia entregará estas ilhas sagradas a um Stark. E agora cale-se. A viagem já é suficientemente longa mesmo sem a sua tagarelice de pombo.
(ACOK, Theon I)
Olhando em retrospectiva, este é um diálogo que faz pouco sentido. Aeron se recusa a aceitar a pretensão de Asha em razão de seu sexo e não é o tipo de homem que faria joguinhos psicológicos com Theon. Talvez seja uma sinalização que Martin inicialmente pensava em armar menos resistência à sucessão de Asha. Talvez a idéia seria que ela assumisse o trono durante o (abandonado) salto temporal de 5 anos depois de Tormenta de Espadas e que Euron reapareceria para destroná-la.
De toda forma, Asha cresceu sem irmãos, mas foi criada pela mãe “para ser ousada” (AFFC, A Filha da Lula Gigante) e ainda menina era vista “atirando machados em uma porta” (AFFC, O Capitão de Ferro). Portanto, Asha desde cedo já podia ser contada como parte do seleto grupo de mulheres das Ilhas de Ferro que “tripulavam os dracares com seus homens, e dizia-se que o sal e o mar as modificavam, dando-lhes os apetites de um homem” (ACOK, Theon II).
A má aparência, porém, é algo que atormentou Asha durante o crescimento. De fato, durante a adolescência, a filha da Lula Gigante teve um curto romance com Tristifer Botley que, segundo Asha, provavelmente foi iniciado porque ambos tinha rostos “atormentados por espinhas” (Botley era um dos cinco protegidos da mãe de Asha, Alannys Harlaw, trazidos a Pyke para substituir os filhos perdidos com a Rebelião Greyjoy de 287 DC). O affair foi descoberto e Botley foi enviado de volta para Fidalporto. Mas a coincidência que aconteceu foi que ambos os adolescente complexados pelas acnes se tornaram adultos bonitos.
Quando conhecemos Asha em A Fúria dos Reis, GRRM demonstra a beleza de Asha fazendo com que Theon, sem saber que estava falando com a irmã, sinta-se imediatamente atraído por ela. O modo como Asha engana Theon revela como a garota sem predicados que ele conheceu na infância se tornou uma mulher independente e muito mais preparada para liderar com os Homens de Ferro do que ele.
O entrosamento entre Balon e Asha é tangível nos livros, de modo que o Rei Greyjoy não faz qualquer ressalva ou reserva sobre sua capacidade e direitos. Obviamente, a perspectiva de ser descartado em prol da irmã é o que acende o fogo do ciúme e vaidade de Theon, levando-o a tomar Winterfell.
Porém, o que Theon deixa passar despercebido é que Asha, por debaixo da persona arrogante, se deu ao trabalho de vir a Winterfell para tentar dissuadí-lo. Caso a relação de ambos tivesse começado em outro pé, talvez Theon não teria confundido a deferência com uma tentativa de ecarnecê-lo ou separá-lo de seu prêmio (o castelo dos Stark). Àquela altura este era até um erro desculpável da parte de Theon, pois até o leitor não entendia perfeitamente as intenções da irmã de Theon.
Quando Asha se torna POV em O Festim dos Corvos, entretanto, a pessoa que vemos é substancialmente diferente do que pensávamos. Asha é uma pessoa estranhamente sentimental.
Alguém que revela ter partido para a guerra com o “coração pesado” em deixar a mãe para trás porque temia que ela morresse em sua ausência. Alguém que, apesar do discurso bélico e entrosamento com o pai, “sempre se sentira em casa em Dez Torres, mais do que em Pyke”. Que dentre tantos modelos masculinos em seus tios paternos, preferia seu tio materno, Rodrik Harlaw, considerado menos viril, mas mais inteligente e melhor administrador. Alguém que, apesar de gostar de amores selvagens, importa-se com os sentimentos românticos de Tristifer Botley, a ponto de querer protegê-lo dela mesma ao invés de simplesmente enxotá-lo.
Em verdade, é curioso o efeito que o amor meloso de Tristifer tem sobre Asha. Na juventude, ela chegou a nutrir sentimentos por ele, mas algo mudou. Porém, mais do que simplesmente desapontada pela falta de ousadia de Botley, Asha foi acossada por uma investida diferente do rapaz:
[...] chamara aquilo de amor, até Tris começar a falar dos filhos que ela lhe daria; pelo menos uma dúzia de filhos, e, oh, algumas filhas também.
“Não quero uma dúzia de filhos”, dissera-lhe, aterrorizada. “Quero ter aventuras.”
(AFFC, A Filha da Lula Gigante)
Alguém poderia arguir que o terror de Asha era simplesmente o medo do compromisso. Afinal, Asha estava carregando o peso de ser herdeira de Balon e não poderia se ver ligada a um segundo filho delicado como Tristifer. Contudo, o contexto no qual essa afirmação foi é revelador. Asha parece estar aterrorizada com a perspectiva de ter filhos.
A julgar pelo histórico de Asha, ter filhos é provavelmente um empreendimento a ser evitado. Sua mãe teve cinco filhos e a perda de 4/5 deles a transformou em outra pessoa. Uma pessoa fraca:
Alannys Harlaw nunca teve o tipo de beleza que os cantores apreciavam, mas a filha adorava seu rosto feroz e forte e o riso em seus olhos. Naquela última visita, porém, encontrara a Senhora Alannys num banco de janela, aninhada debaixo de uma pilha de peles, de olhos fitos no mar. Isto é a minha mãe, ou o seu fantasma?, lembrava-se de ter pensado ao beijá-la no rosto.
(AFFC, A Filha da Lula Gigante)
Esta constatação é interessante por conta dos últimos acontecimentos em A Dança dos Dragões. Asha Greyjoy tem um relacionamento brutal com um rapaz de aparência delicada, com quem ela transa antes de Stannis invadir e tomar Bosque Profundo. Asha estava à procura do meistre do castelo para tomar chá da lua e evitar engravidar de Qarl, mas a invasão faz com que ela se esqueça da situação. Portanto, há uma possibilidade de que Asha esteja grávida de Qarl, o Donzel.
Caso essas suspeitas tenham algum fundamento, algumas implicações práticas e narrativas envolvem:
  1. A pretensão deste filho de Asha à Cadeira de Pedra do Mar pode ser considerada mais qualificada do que a de Euron. “Filhos do sal podiam até mesmo ser herdeiros quando um homem não tinha filhos legítimos com sua esposa da rocha” (TWOIAF, As Ilhas de Ferro);
  2. Asha teria que enfrentar a temida gravidez durante o inverno do Norte;
  3. A lealdade cega de Tristifer Botley pode vir a calhar muito para Asha durante a gestação.
A questão é que Asha, mesmo que Asha decida levar esta gestação adiante, qualquer oposição ao Olho de Corvo, pedindo uma nova Assembléia de Homens Livres levaria necessariamente à guerra. Se esta não era uma perspectiva que agradava Asha em O Festim dos Corvos (ela fica feliz ao saber que Aeron convocou uma Assembléia), será uma perspectiva ainda menos atraente em Os Ventos do Inverno.
Declarações de GRRM
Perguntas
  1. Por que Aeron citou Asha como pretendente à Cadeira de Pedra do Mar em ACOK, mas a rejeitou em AFFC?
  2. Por que Asha tem mais afinidade com Tio Rodrik Harlaw do que com Balon Greyjoy?
  3. Asha realmente teme a gravidez em razão do que aconteceu com sua mãe?
  4. Asha deveria ter aceitado a proposta de Rodrik Harlaw e desistido da Cadeira de Pedra do Mar para se tornar herdeira de Dez Torres?
  5. Asha está grávida de Qarl o Donzel?
  6. Um filho de Asha poderia ter direito a Cadeira de Pedra do Mar? A pretensão seria melhor do que a de Euron?
  7. Você vê paralelos entre Asha Greyjoy e Rhaenyra Targaryen?
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2019.09.03 06:43 VaynardTheKinslayer [LONGO] Conversa filosófica que tive com meu irmão por Whatsapp enquanto eu estava chapado.

[00:30, 9/3/2019] [EU]: brain-dead people
são só humanos empalhados ._.
é literalmente um cadáver preservado
maquinas bombeando o sangue
pessoas com morte cerebral poderiam, em teoria, serem consideradas objetos

[00:30, 9/3/2019] [IRMÃO]: Tu tá bem?
Do nada com isso

[00:30, 9/3/2019] [EU]: to
ahuauahuahu
tava vendo um documentário sobre atividade cerebral
daria pra dizer que alguém com morte cerebral é como um carro
onde o motorista saiu e deixou o motor ligado
mas a gente continua metendo gasolina e carregando a bateria

[00:31, 9/3/2019] [IRMÃO]: Sim

[00:31, 9/3/2019] [EU]: o motor vai correr até o carro se desgastar e quebrar por completo
bizarríssimo

[00:32, 9/3/2019] [IRMÃO]: É um boneco vivo

[00:32, 9/3/2019] [EU]: sim

[00:33, 9/3/2019] [IRMÃO]: Um robô sem programação

[00:33, 9/3/2019] [EU]: isso me faz pensar
um monte de coisas que eram fantasia hoje a ciência tornou real
não demora muito eles acharem um jeito de socar uma consciência artificial num cérebro morto.
vai ser super creepy

[00:34, 9/3/2019] [IRMÃO]: Já deveria haver

[00:34, 9/3/2019] [EU]: uma familia pagando uma empresa pra construir uma replica artificial da personalidade e memórias da pessoa morta de acordo com testemunhos e documentação

[00:41, 9/3/2019] [IRMÃO]: Gosto muito da ideia de IA

[00:41, 9/3/2019] [EU]: a ideia de IA me da um certo medo
esse papo de IA e cérebros me fez pensar
como é uma conclusão um tanto deprimente que nós somos só máquinas
somos uma maquina feita de carbono
todas nossas emoções, sentimentos, memórias, personalidade são só reações elétricas no teu cérebro, como componentes de um computador.

[00:43, 9/3/2019] [IRMÃO]: Sim

[00:44, 9/3/2019] [EU]: Big Brain Time
Se tu parar pra pensar, um PC é só uma mente humana numa caixa. Presa num sono eterno, e nós enxergamos a mente da maquina pelo monitor. O Sistema Operacional é como a consciência e acessar os arquivos e código fonte do sistema operacional é como acessar os subconsciente de uma pessoa. Arquivos são memórias e programas são conhecimentos. Quando alcançamos o limite do nosso armazenamento de memória, começamos a apagar memórias velhas, mas ainda podemos nos lembrar ocasionalmente de fragmentos. Tipo como apagamos arquivos e removemos programas do PC pra abrir espaço, mas ainda podemos usar programas de recuperação pra encontrar fragmentos dos arquivos deletados a décadas e reconstruir eles as vezes.
O próprio fato de que um HD acaba criando badblocks, locais no disco que estragaram e jamais vão poder ser usados de novo, como neurônios que morrem num cérebro. PCs tem até vírus, problemas psicológicos e doenças que deterioram a saúde da maquina.
A internet é como um mundo superno, onde a consciência do PC se projeta no sono quando ele atinge uma ligação: Internet. A Internet é a projeção astral da maquina, e a Deepweb serve como a parte do superno onde habitam espíritos ruins.
Agora pergunto: Pra onde vão as masquinas quando elas morrem?

[01:01, 9/3/2019] [IRMÃO]: Lugar nenhum

[01:01, 9/3/2019] [EU]: E pra onde nós vamos?

[01:01, 9/3/2019] [IRMÃO]: Lugar nenhum

[01:01, 9/3/2019] [EU]: yep
A vida realmente não tem sentido huehuehuehue
Eu devia abrir um canal no youtube e fazer um quadro chamado "Filosofia de Bar" e falar dessas coisas
física, biologia, ciência
heuhuehueuheehu
tipo um VSauce BR

[01:05, 9/3/2019] [IRMÃO]: Mais um louco fazendo vídeo
Bem vindo ao YouTube

[01:05, 9/3/2019] [EU]: huehuehuehuehue
um outro assunto curioso
tudo no espaço está constantemente se afastando
inclusive todos os átomos que compõe teu corpo
e um número estupidamente grande de eons no futuro (se é que nossas noções de tempo e espaço funcionem até lá), o universo vai perder todo o calor por ter expandido demais e chegado ao limite da realidade
então a matéria fria vai começar a comprimir. Chamam isso de Big Crunch.
E o univero literalmente rebobina.
Quando ele rebobina ele ganha cablor por pressão, porém é sempre menos do que ele precisa pra poder mover o tempo e espaço pra frente
no caso
em algum momento nesse tempo
nossas vidas vão rodar de trás pra frente
porque toda matéria do universo tão contraíndo.
e quando o Big Bang acontecer de novo, nós vamos viver nossas vidas novamente.
esse é um dos pensamentos que deve ter dado princípio a crença de reencarnação
e é totalmente ciêntifico xD
"Ultimate Fate of the Universe"
O universo é em sua totalidade é análogo a menor particula que já observamos.
Ele pulsa pra sempre
talvez o universo componha um ser maior que existe em um plano acima do nosso
e essas partículas ínfimas que enxergamos sejam outros universos inteiros.
Eu também poderia fundar uma religião nesse rítimo
uhahuauhauhauha

[01:21, 9/3/2019] [IRMÃO]: Hahaha

[01:23, 9/3/2019] [EU]: já imaginou?
os hindus tavam certos
Namastê
somos deuses com trilhões de universos nos nossos corpos
incontáveis realidades nos adoram como um deus supremo criador, fazendo religiões e tudo mais sobre nossos possíveis planos
mas a gente ta só aqui, podendo estar literalmente cagando e lendo uma revista no banheiro enquanto incontáveis ciclos universais acontecem e infinitos seres vivos nos adoram xD
uhahuauhauhahuahuahua
Nietzsche tava errado
Deus não está morto
ele ta soltando um barro.

[01:37, 9/3/2019] [IRMÃO]: ...
Caralho
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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2016.10.27 22:27 Lake_Mungo Trechos Gerais

Fragmentos de textos interessantes:
PNL não tem qualquer eficácia comprovada. E terapia eriksoniana é discutida em quase todo mundo como abordagem contestável.
E em geral, cura súbita ou melhora brusca implica em sensibilização, e em grande parte, risco. Serve em casos que o sujeito tem uma autoconfiança mínima, mas a chance de fazer um sujeito tender a um comportamento agressivo qualquer e isso implicar em um novo problema, esse agora, material, é significativa. Existem diversos casos de pessoas que sequer tem repertório verbal pra descrever o problema mas reclamam de "não devia ter feito" alguma coisa.
Emular segurança em uma pessoa é fácil. Controlar as consequências disso é impossível. Se não tivesse motivo pra haver terapia, com certeza, não haveria terapia. E eu bem gostaria que PNL ou módulos motivacionais quaisquer tivessem efeito positivo bom (parece pleonasmo pra quem não é do meio, mas é assim que se fala lol), mas pelo que ando estudando (propensão a risco, recaída e porras assim), todos indícios são de eficácia nula e aumento brusco de comportamentos globais, que em situação de risco ou vulnerabilidade, implicam em uma conduta imprudente por parte do paciente.
Manja aquela de "agora sou o super homem, pode vir qualquer coisa pela minha frente e nada vai me abalar". Bem, nunca ouvi falar de nenhum super-homem na vida real.
 
 
Regressão é coisa de espírita cara, envolve fé. Demanda que tu tenha crença em "vidas passadas" e essas merdas.
Apesar de que uma galerinha segue a tão discutível abordagem Eriksoniana. Hora Médicos (psiquiatras), hora Psicólogos. Nesse caso se restringem a regredir no seu tempo de vida apenas.
Vou tentar me manter resumido: Problemas? Bem, muitos:
  • Teórico/metodológico: Você retorna para fases anteriores da sua vida em geral buscando "fontes", mas tem confiabilidade 0 dos dados (tal como introspecção, os dados são completamente insubstanciais, tendenciosos, discutíveis e impossíveis de serem replicados e nem mesmo reproduzidos).
  • Partindo desse princípio, ok, a abordagem se baseia no "auto conhecimento". Trabalhando conhecimento como uma experiência vívida e consciente. E ela é por algum motivo avaliada de forma inconsciente. Dá pra entender? Tu vai, volta, "relembra", e isso trás algum dado? Provoca alguma mudança? Dafuc.
  • Onde diabos fica a memória do sujeito? Ele tem diversas memórias que acompanham diferentes idades? Memória é um campo complicado, mas ela costuma se fragmentar em diferentes aspectos (difícil montar cenas inteiras, sentimentos, todas percepções de um momento muito antigo), e mesmo assim, ela teve validade para aquele momento em específico. Você cresce, as variáveis mudam, e aquele momento em si não tem influência direta com quem você é hoje além do simbólico. Abordagens que trabalham simbolismo vão considerar isso como variável, mas ainda assim, partindo do princípio de uma memória induzida? Sem confiabilidade? Você pode simplesmente produzir um estado ou até mesmo uma consciência por via da sugestão (sugestionamento).
Esses problemas são os que inviabilizam pra mim o método cientificamente. Não são críticas minhas, são provenientes principalmente da área médica-comportamental, lógico. Mas isso é praticamente um consenso hoje em dia na ciência simplesmente porque consideram avanços científicos e metodológicos. Inclusive a psicanálise e as áreas humanísticas da psicologia costumam recusar métodos como de hipnose, e nunca aceitaram PNL.
Se quiserem (se acharem que vem ao caso), eu falo o que controla motivação, e como eu lido com o conceito e descrevo como ela pode ser treinada ou desenvolvida, como preferirem chamar. Com esses programas ai de PNL ou qualquer outra abordagem motivacional, você consegue resultados sim. Não é em todas pessoas, não é em qualquer condição, mas obviamente (vulgo, se tu ler um mínimo de princípios da psicologia) sabe que um dos estados psicológicos mais comuns é o da sugestão. Pessoas com baixa crítica, baixa autonomia, baixa resistência a frustração e principalmente baixo repertório comportamental são EXTREMAMENTE suscetíveis a comportamentos modelo, se tu apresenta um modelo muito claro pra ela, e descreve através de um puta orador, os efeitos são monstruosos.
Manja "receita do sucesso"? Tem muito mais a ver com "Anda filho da puta, faça algo" com "Vai estudar". Caso contrário, não é uma receita, não imediata. Porra, olhando em volta tu percebe uma porrada de pessoa que não "se utiliza do seu potencial", a gente mesmo perde muito tempo com "coisas banais como lazer", ou em pensamentos repetitivos disfuncionais, frustrações, problemas que se consolidam em rotinas. A gente (no geral) tem uma tendência comportamental fortíssima em se acostumar. Nos EUA principalmente essas intervenções motivacionais "funcionam" bastante, mas lá a organização é outra.
Não é tão simples, depende do que tu considera "funcionar". Regressão pra mim é de uma inconsistência teórica monstruosa, e sequer acredito que vivências anteriores controlam comportamento atual (tenho bases mais do que suficientes pra isso, ao ponto de ser banal discutir o contrário).
 
 
Pra início de conversa: Sou psicólogo comportamental, sigo a linha behaviorista radical. A base é biológica e sem influência de outras áreas. A dissociação é importante pra deixar claro que eu não compartilho do paradigma cognitivista o qual é inconsistente (e até paradoxal) teoricamente.
Quanto a emoção: a primeira dissociação importante pra ser evidenciada é que em si, ela é comportamento reflexo (seguindo um sistema respondente pareado ao operante). Isso quer dizer que diante de alguns contingentes ambientais (S), assumimos determinados comportamentos ® e que isso provoca uma consequência ©, que será reforçadora caso a frequência desse comportamento seja aumentada, e punitiva caso esse comportamento tenha frequência reduzida. Esse é o paradigma básico pra qualquer sistema operante.
A emoção e o sistema operante vão compartilhar do mesmo antecedente. O comportamento vai ser controlado em função da consequência do sistema operante, e a emoção será um sistema respondente pareado. A nota imprescindível aqui é: A emoção não provoca comportamento, nem é a resposta operante. Exemplo? Temos medo daquilo que aprendemos a temer, mas podemos lidar com aquilo a partir do momento que nossa aproximação desse comportamento é reforçadora. Caso tenha curiosidade, eu tenho uns capítulos sobre. Mas entende o importante? Emoção é pano de fundo para os comportamentos, são sistemas respondentes e os sentimentos são as descrições atribuídas.
PS: não estou falando sobre mudança de comportamento aqui. Mas se você simplesmente treinar uma pessoa a assumir um comportamento X, você tá expressando um modelo e os problemas seriam decorrências comuns de se seguir apenas modelos. São muitos e tá longe de ser o ideal principalmente quanto a autonomia.
 
Quanto a tendência a se acostumar: Pensa que todos seus comportamentos são como são porque assim foram reforçados e tiveram sua frequência aumentada. Tudo que tu faz tem em geral um modo de ser feito que você identifica como ideal. Pessoas com maior foco em desempenho, estão constantemente reavaliando variáveis de seus comportamentos, e ainda assim, sempre vão visar a maior fonte de reforço possível. Assim que você atingir um nível de reforço satisfatório, o número de comportamentos diferentes desse vai naturalmente ficar bem reduzido. A noção de repertório comportamental é muito próxima de alguns conceitos de personalidade pelo exato mesmo motivo.
Todo novo comportamento implica em sucessivas aproximações de um comportamento que atinja um nível satisfatório de reforço. Aprender tem muito mais a ver com "falhar miseravelmente" do que "fazer direito", porque se tu faz direito da primeira vez, potencialmente tu já sabia fazer e não precisou fazer adequação alguma. De qualquer forma, deu pra entender? Tentar algo novo implica em desafio, frustração e uma expectativa de reforço sempre presente. Em geral, é muito raro tentarmos fazer algo novo sem que exista uma operação estabelecedora em ação. Operação estabelecedora é o conceito utilizado para motivação dentro da psicologia comportamental. Ela é assim chamada porque ela é alguma operação (antecedente ao comportamento) ao qual estabelece um (1) aumento da probabilidade da execução de um comportamento específico (efeito evocativo) e (2) aumento da qualidade reforçadora de alguma consequência (efeito estabelecedor), existem outros 2 efeitos mas eles caem em questões teóricas mais avançadas, de maneira geral basta entender que os componentes da motivação dentro da psicologia comportamental são bem materiais e experimentalmente testáveis. Existe sim um gigantesco avanço teórico nesse campo, diferente das abordagens clássicas da motivação. O principal ganho é, novamente, autonomia e consequente a isso, capacidade de auto-controle, auto-gestão (por sinal, isso é a principal resposta aos críticos da psicologia comportamental, os quais afirmam que segundo a perspectiva teórica, você é impossível de ter qualquer experiência de liberdade).
 
Quanto a suscetibilidade: Aqui estamos falando diretamente de repertório comportamental. Um sujeito com pouca autonomia em geral tanto tem um repertório restrito (podemos dizer que ele "sabe fazer poucas coisas", faltaria saber quanto ao que), e isso de maneira geral tem relação íntima com aprendizados via modelo. Manja aquele guri que só vai ser reforçado se fizer do jeito que o pai mandar? Ou aquele que só vai receber certo se fizer do jeito que o professor mandar? Se em todo lugar da vida de uma pessoa ela só é instruída a fazer de alguma forma, e na sua vida (condições naturais de reforço) ele for punido por qualquer tentativa criativa de solucionar um problema, pronto, fodeu. Teremos uma pessoa com baixa autonomia ao longo prazo, a qual talvez até siga muito bem um modelo bem descrito, mas a sua capacidade de solução de problema é bem restrita.
Agora pensa nas relações de reforço que esse sujeito vai estabelecer? A todo e qualquer modelo, ele vai ver uma descrição de como obter reforço, enquanto ele não vai ter repertório próprio algum (vulgo, estratégias) pra responder adequadamente ao problema disposto. No fim das contas esse sujeito vai sempre esquivar de responder por si próprio, enquanto vai ter uma probabilidade imensa de seguir descrições de contingências feitas por terceiros. Uma pessoa inclusive pode ser feliz assim. Quem aqui nunca conheceu alguém submisso? Tem gente que gosta. Eu não gosto. Vai do que a pessoa considera um objetivo pra ela.
Eu sou um defensor invariável da autonomia e acredito que sem autonomia não existe saúde mental. As pessoas devem ser estimuladas SEMPRE a procurarem soluções criativas para os problemas do dia a dia. E isso implica em não ser um filho da puta punitivo com qualquer erro de terceiros e sempre focar em onde diabos aquilo ali foi uma tentativa de desenvolvimento. Com isso no fim das contas eu acabo tendo uma vida com muito mais feedbacks positivos. Curiosamente, aqui no forum é justamente o contrário, aqui passa muito longe de ser um lugar para feedbacks positivos, e sim um lugar pra opiniões formadas e impositivas. A diferença daqui pro dia a dia é gigantesca.
 
 
William James é um dos pais, senão O pai do pragmatismo, que sim, é a base filosófica do behaviorismo radical.
A escolha do terapeuta tem muita relação com o perfil do sujeito que tá procurando terapia. É um assunto um pouco mais complicado e no fim das contas eu vou sempre puxar saco pra minha linha, então melhor eu nem falar muito. Mas a dica que dou é: peça indicação de um bom terapeuta na sua região, recomendações são sempre boas. Sabendo a perspectiva clínica dele (qual teoria que fundamenta a prática dele), tu pode pesquisar sobre e ver se tu vê sentido naquilo, se tu concorda ou coisa assim.
A maior dificuldade é sempre encontrar um terapeuta que tu goste, é igual médico/dentista.
E não sei direito sobre a dissociação que o the-dude fez, mas psiquiatria e psicanálise são coisas bem diferentes, e de qualquer modo, a rotulação é sempre algo complicado. O paciente é sempre mais do que um sinal ou sintoma. Pro behaviorismo radical mesmo muito pouca coisa é tratada como patologia pra tu ter ideia. O lance de dissociar behaviorismo radical e cognitivismo tem mais relação com o que eu ia falar, o cognitivismo assume umas paradas meio controversas quanto emoções e a produção de comportamento, ou mesmo no objetivo de qualquer terapia. No cognitivismo por sinal o que se trata é a queixa em geral. Tipo, se tu tem insônia, se trata a insônia, como módulo. Inclusive existem livros que deixam claro até a média de consultas necessárias e o que deve haver no programa da terapia. Saca? Eu acho foda isso, apesar de que quando eu clinicava, raramente eu precisava ficar mais de 6 meses com um paciente. Mas uma coisa é seguir módulos, outra é de fato estabelecer uma relação terapêutica e a partir do que ela for mostrando, os dois (paciente e terapeuta) determinam os objetivos, a temática de cada sessão e coisas do tipo.
 
 
Essa é a parte foda e "difícil de explicar". A primeira resposta é a mais complicada. Psicanálise, seja lá de qual for o autor, ela não é científica. Mas calma, isso não é o fim do mundo. Existe uma dinâmica a qual é coerente metodologicamente até certo ponto, mas científica ela não é. Ela trabalha relações subjetivas através de representações e postulados que tem validade DENTRO DA TEORIA, que quando trabalhados com o sujeito, seguindo uma porrada de identificações (que vão ter nomes diferentes pra cada teoria), se constrói um campo terapêutico, que em geral, é simbólico, mas se nossa fala/escrita e mesmo pensamento é simbólico, dá pra entender o porque que trabalhar simbolismo gera efeitos positivos sob o sujeito né?
Dai tá a gigantesca cisão na psicologia. Não sou bom nessa área, mas fiz minhas escolhas né. A psicologia comportamental é científica (vulgo, tudo que a gente trabalha tem respaldo em teoria E foi testado por via experimental E pode ser replicado). Essa é a parte que gera uma merda infernal na psicologia. Quando a gente trabalha clínica, no mundo inteiro, tem esse direcionamento pra psicologia comportamental (e dentro dela, as duas principais escolas, o behaviorismo radical e o cognitivismo). Psicanálise só é encontrada em grades curriculares de psicologia em 2 países do mundo: Brasil e Argentina, salvo engano, é essa a informação que tenho.
Abordagens humanísticas caminham pro mesmo lado, não são científicas, mas tem uma base que é científica (a da gestalt teoria), mas nesse campo eu sei menos ainda. Gestalt em geral é aplicada em áreas como publicidade e marketing. Mas quanto a terapia, ela novamente não é científica MAS guarda de uma coesão interna.
Na minha opinião, o mundo inteiro tem um motivo pra ir pro lado da biologia. A força que a ciência traz e principalmente o poder de ilustração/demonstração que um estudo experimental traz é MUITO contundente. Por mais que acredite que a clínica de outras teorias nunca vá morrer (bem, não dá pra mentir que boa parte das pessoas tem problemas de forte caráter simbólico), a tendência é que a psicologia clínica acabe ficando muito pro lado com comprovação científica. Em muitos países, psicologia clínica é sinônimo de psicologia comportamental. Nos estados unidos e na áfrica do sul é mais ou menos assim já.
E "o que funciona" no fim das contas é sempre o que se estabelece na terapia. É imprevisível demais. Mas acredito que seja exatamente por esse motivo que é tão foda achar um terapeuta bom. A formação em psicologia é ridiculamente fraca no Brasil. Dá pra formar não sabendo porra nenhuma, grande parte da minha turma, e vamos falar da minha área teórica: de todos os meus 12~14 colegas de clínica, eu consigo dizer que no máximo 4 deles conseguiam lidar com a imprevisibilidade de uma queixa. Quase todos os outros não fariam nem ideia de como estruturar uma hipótese. E isso porque to falando dos psicólogos comportamentais com que me formei (as outras abordagens acredito que seja pior ainda, simplesmente por demandar de bem mais estudo inicialmente).
 
 
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2015.11.22 18:26 caribbeanparty (Desabafo e Discussão) Vale à pena mesmo entrar na política no Brasil? Esse é um grande dilema pessoal...

Não sei como expressar isso melhor, tentei reescrever várias vezes então vai assim: durante muitos anos da minha vida eu quis entrar na política. Antes de completar a idade "certa" para isso fui bastante envolvido com blogues, fóruns, institutos civis, associações etc. Sempre me senti politizado e com ganas de me engajar ativamente por alguns projetos e ideias. Avança no tempo e fui estudar no exterior. Passado minha estadia no estrangeiro ganhei dupla nacionalidade, consegui trabalho, construí um círculo social muito precioso, "adotei e fui adotado" por uma terra nova. Mas sempre ligado ao Brasil. Agora que voltei estou me sentindo... perdido. Talvez bom dizer desencantado. Não com fulano ou beltrana, não com indivíduos ou com grupos, isso é análise política rasa, mas com a sociedade mesmo. Eu me sinto eternamente naquele conto do Esopo do cordeiro e o lobo. Tento argumentar com as pessoas citando dados, explicando a história, dando fatos, pesquisas, números; explicando as ideias da constituição, do sistema eleitoral, o funcionamento da economia etc etc e sempre sinto que 'perco', no fim, para a bossalidade, o sensasionalismo, paixões irracionais, ideias preconceptualizadas... Não se trata de lidar com diferenças. Isso é normal. É um embate que faz parte de uma sociedade livre. A questão aqui é que eu acho que não me dava conta o quanto o Brasil, ou os brasileiros melhor dizendo, é maniqueísta.
Alguém me disse que "Os idiotas se deram conta que eles são maioria, e essa é a democracia que vivemos". Fiquei preocupado com isso. Eu me sinto frequentemente 'descartado' quando tento trazer qualquer discurso racionalizante sobre política. Talvez sempre foi assim e eu que não me dava conta. Pouco a pouco tenho achado que as estruturas sociais e culturais do Brasil são tão enraizadas, mas tão enraizadas que talvez não há diferença que meu engajamento possa provocar. A não ser que eu aceite "negociar a virgindade", me tornar um populista, adotar uma técnica de 'debate' demagogo. Não consigo. Enfim talvez o sistema, afinal, esteja mesmo montado para excluir a racionalidade e já dominado por interesses e paixões que estão aquém dos interesses nacionais coletivos e do debate fatual ético. Montado para excluir "os bons", em vez de "os melhores manipuladores" ou "os mais demagogos". Se me permitem a reflexão personalizada, eu vejo, por exemplo, o atual senador Antônio Reguffe. Ele foi vários anos seguidos classificado pela Transparência Brasil como o melhor deputado do Congresso. E esse mesmo senhor vive dizendo que a Câmara não aprova um projeto dele. Na verdade ele diz que nem são trazidos à votação. Em outras palavras, ele é sabotado por não alinhar com certas coisas. O segundo colocado congressista, o Cristovão Buarque, passa pela mesma coisa. Enquanto isso um Marco Feliciano ou um Cunha da vida aprova projeto à rodo. Um dia um conhecido meu de Brasília (eu não sou de lá) que disse que não vota nesses caras porque "eles são bons demais para o Brasil", no sentido de que a qualidade deles não funciona no sistema. Achei isso deprimente. Aí há uns dois anos quando o Reguffe foi internado ele disse em entrevista que não tem a menor dúvida que é o stress psicológico que vem sofrendo que provocou a queda na saúde dele e que ele estava estudando deixar a política para cuidar da vida pessoal e cessar os ataques. Poxa, essas são palavras do cidadão que é, de 600 parlamentares, classificado como o número 1 por atuação por organizações não-partidárias me deixa pensando... muito. E a cereja no bolo... é que eu tive dois tios deputados... ambos foram os mais votados do estado quando se elegeram (faz vários anos) e ambos largaram política. E eu sei a quantidade de ameaças, de morte inclusive, que eles recebiam (abriram muitas CPIs, votaram muitas vezes contra ordem do partido etc) e também vi de perto o que é difamação. Sério, shit is fucked up. É um estupro desavergonhado e mentiroso da biografia alheia. E é constante.. Só que na época eu julgava que se devia ao fato de que o Brasil era desfamiliarizado com a democracia (foi pouco depois da redemocratização) e que com o tempo as coisas iam mudar, as pessoas iam se educar mais, ter acesso a mais informações, até os meios de comunicação iam evoluir. Como dizer? ..... ledo engano. A minha experiência no exterior meio que selou o caixão. Eu vivi em 4 diferentes países europeus. E embora houvesse, sim, vários episódios feios na política local a atitude e abordagem das pessoas era, em média, tão anos-luz à frente do que eu vivo no Brasil que eu percebi que afinal, não é "humano" mas realmente cultural. E daí a pergunta: o quão plausível é esperar certas mudanças culturais? Talvez não o seja...
Enfim, estou vivendo um profundo desencanto. Talvez seja um problema meu, da minha personalidade, mas estou num impasse. Sempre ouvimos que "a política não tolera vácuos", ou bons cidadãos se engajam ou maus cidadãos tomam a coisa pública e ocupam os espaços. Entendo. Mas mesmo dialogando com a sociedade, mesmo dialogando aqui, até com familiares, me sinto tão... pessimista.
Eu me sinto muito, muito como naquela do Cazuza, "Ideologia", em que ele canta:
"Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
(...) aquele garoto que ia mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver"
...
Amigos brasileiros, vale a pena sacrificar uma vida confortável, agradável e anônima para entrar na política no Brasil para tentar construir um país melhor - às vezes, me parece, contra tudo e todos? Isso é algo para loucos masoquistas, sociopatas manipuladores e gente sem compromisso com a verdade e o bem coletivo? Me sinto numa bifurcação na vida...
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Edit: taggeando geral para poderem ver a resposta: fazoids, SeuMiyagi, rafapras, protestor, Notus1_, nordenskjold, MediocreOpiniao, reidhasguitar, not_from_this_world, bburgarelli, lifepex, drfritz2, dwlsalmeida, Alchnator: Li a contribuição de todos vocês. Algumas dedicadamente elaboradas e debatidas, outras monossilábicas. Mas todas um pensamento partilhado pelo qual agradeço terem se dado ao esforço e foi bom ver visões diversas sobre o assunto nesse dilema pessoal. A questão continua aberta para mim, e talvez continuará por um tempo. O que posso dizer é que tenho vontade de por alguma forma contribuir para a sociedade, a começar pelo microcosmo da minha comunidade e adiante. Talvez isso seja um dia realizado por atuação política e partidária, talvez por outra via (igualmente possível), mas sinto que de uma maneira ou de outra no futuro me mobilizarei de alguma forma. Uma coisa passa pela minha cabeça, que é que em uma geração não verei nenhuma utopia acontecer, qualquer que seja, mas como diz um velho provérbio: "Uma sociedade torna-se realmente admirável à medida que seus velhos plantam árvores em cujas sombras sabem que jamais vão poder se sentar." Não penso que verei algum dia o Brasil e os brasileiros como uma Suíça, e nem o mundo pois se por acaso descobrir que posso dar contribuições mais significativas em outras terras então assim será pois o que não falta são lugares para construir uma realidade melhor no mundo, mas vou fazer meu melhor esforço para pensar no muito longo prazo e sem ego. Se descobrir como, partilho com vocês. Obrigado a todos pela participação. Shalom e um brinde a um futuro mais otimista.
PS: nem me tornei político e já tentam me subornar com ouro. Não me dobro! (Mas sério, grato pelo gesto)
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